terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

ESQUISITOS

Os pés, as mãos, os joelhos, o nariz
tudo é tão esquisito nela.
Os polegares pequenos
dificultam o entremear dos fios.
O corpo verga-se facilmente,
embora os ossos não suportem
que carregue a mala.
Infantil e invertido,
o útero jamais se contrai.
Mas a criança nasceu,
desfazendo a profecia.

Foi cega,
louca,
vidente,
suicida.
Um dia, decidiu tomar a pena
e escrever outras histórias
mais estranhas ainda.

Quando o homem chegou naquela tarde
e retirou-lhe o véu,
ele era tudo o que queria:
poeta, maduro, viril.
E ela soube que seria dele.
E ela soube que seria dela.
E ela soube que seriam sós.


MÔNICA MENEZES. Poetisa sergipana radicada em Salvador

10 comentários:

Anônimo disse...

Lindíssimo, Mônica! Este poema me fez ganhar a tarde! Um grande abraço, Ângela Vilma.

Anna disse...

Vc escreve que é uma COISA. Chapa. Tem força e graça. Lindo mesmo.
bjs

Renata Belmonte disse...

Muito lindo! Adoro a Mônica!
Bjs

anjobaldio disse...

Muito bom.

aeronauta disse...

Que poema forte, maduro, lírico, e que fala em todos os nossos sentidos... Parabéns, mulher que (também) voa!

Anônimo disse...

Obrigada a todos. Beijos, Mônica

Carlos Barbosa disse...

Mônica tem uma escrita leve e envolvente. Feito um laço. Abr. (carlos)

Kátia Borges disse...

Oi, Mõnica, belo poema, como todos os outros de sua autoria que já li. Beijos

Valdo disse...

Uma beleza, Mônica! Gostei. Beijos

SANDRO ORNELLAS disse...

Que bonito, Mônica! E forte (ai, como sou delicado...)!