terça-feira, 22 de abril de 2008

DOIS POEMAS DE ELIESER CESAR

CINAMOMO

Na encruzilhada da vida,
Já não sei que caminho tomo;

se sou velho, menino ou gnomo;
se, entro num bar, peço uma cachaça e tomo.

Pegarei o Dom Quixote para ler o segundo tomo?

Mas, sei – ò, bem sei, que triste tombo!

Não há de chorar por mim um cinamomo.



PELOURINHO

Não julgo cor,
nem escolho tribo
(toda cisão me atrapalha).

Não tenho Deus,
nem o Diabo
que me valha.

Não sou (e isto é o bastante),
proprietário da casa-grande,
nem inquilino da senzala.


ELIESER CESAR (1960) é natural de Euclides da Cunha – BA. É poeta, ficcionista, jornalista e professor universitário. Tem publicado O Azar do Goleiro (novela, 1989), O escolhido das sombras (contos, 1995), Os Cadernos de Fernando Infante (poemas, 1997) e A Garota do Outdoor (contos, 2006). Integra a antologia A Poesia Baiana no século XX, organizada por Assis Brasil em 1999.

7 comentários:

Mônica Menezes disse...

Gostei muito dos poemas.

Mayrant Gallo disse...

Dois poemas tão fortes e bonitos, que pela primeira vez na vida desejei ser ladrão...! Congratulações ao EntreAspas por mais este achado poético. E ao poeta Elieser Cesar, que o tornou possível.

Anônimo disse...

Esses poemas são maravilhosos

Anônimo disse...

Esse poeta é muito bom mesmo.Parabéns

anjobaldio disse...

Muito bom mesmo esse Elieser. Grande abraço.

Anônimo disse...

Elieser, me perdoe a ousadia, mas levei esses seus dois poemas para a sala de aula. Foi o maior sucesso! Beijos, Ângela Vilma.

SANDRO ORNELLAS disse...

grande Cinemomo, elieser.