domingo, 21 de outubro de 2007

POUCAS E BOAS...Com...Lupeu Lacerda.

Entrevista toma da na marra ( risos! ) do nosso amigo de trincheiras Lupeu.

Uma alma Cariri,moldando a massa da poesia ,riscando cadernos e travando a base de foice uma luta de tempo e prosa.Confiram!!!



1-) Dentro desta sua lida de escritor artesão, esculpindo madeira e palavras como é estar na lida da literatura aqui na Bahia?



R. Quem dera esculpir madeira... Ainda vou. Mas por enquanto a coisa é biscuit. Sonhos e palavras de biscuit, anfetamina, cerveja gelada e mais sonhos e mais livros de amigos, e sabendo que: Bahia ou não... Quem quer escrever tem de saber que tem de primeiro ensinar alguém a ler. Coisa difícil. Mas coisas difíceis são buenas. Assim vou: meio Ceará, meio Bahia, comendo prego a arrotando caviar. tem alho, sal, pequi e acarajé na minha vida meus caros. Mas tem um amigo que diz o seguinte: "continua andando. senão vão pensar que tú morreu". Eu? Continuo andando. Poetando, esculpindo, e bebendo uma cerveja (que ninguém é de ferro).



2-)O seu livro de poesias Entre o alho e o sal , quanto deste trabalho tras a você as lembranças do Cariri?



Entre o alho e o sal é Cariri até o tutano. Pra quem vê o livro, pode até parecer só um livro de poesia. Mas pra mim? é um álbum de fotografias. Tem serra, tem floresta, tem água, tem bar de ponta de esquina, tem mulher, tem paixão, tem pé na bunda, tem experiência com drogas buenas e nem tanto, tem livros lidos, filmes vistos e amigos queridos. eu, e tudo que faço, é tudo Cariri. O resto?É lenda pessoal.



3-)Como foi sua experiência como editor de fanzines?Sente saudades deste tempo?



O fanzine se chamava "séquiço sacro". Nome e sobrenome de porrada. Era uma luta braçal "literalmente", mas, puta que pariu!!! Como era bom cara. Os blogs de hoje são sensacionais, mas não são nem a sombra do que foram os fanzines. Tenho saudade cara!!! Datilografar, recortar, colar... porra! Como éramos jovens. Como éramos belos com nossos sonhos de mudar o mundo. O fanzine cara, foi a literatura experimental mais importante dos anos 80 e 90. Exagerado? Como não ser escutando Cazuza?


4-)E suas experiências com a musica e a noite ?



A música entrou na minha vida pela mão da poesia. Eu era o cara esquisito que escrevia, e os caras eram o "remédio anti-monotonia". Nos juntamos e fizemos rocks ingênuos e nem tanto. Tão bonitos que sobreviveram a nós todos. A música ainda hoje tem um papel absolutamente importante na minha vida. Daí, que "leio" Lenine, Zeca Baleiro, Chico César e todos os outros luminares da M.I.B (música inteligente brasileira) sem esquecer de Tom Zé né véio? Que é o papa da pop poesia visceral e verdadeira.



5-) Escrever , sem dúvidas o melhor remédio para nós os doentes deste mundo destroçado O que Lupeu esta aprontando para os leitores?



Estou seguindo o conselho do Gustavo cabeção (o amor é uma coisa feia) estou na luta com o teclado pra escrever um romance, e continuo enlouqueçendo no meu blog: "séquiço sacro", e escrevendo algumas coisas no "cariricult" (precisam ver isso cara!!! o cariricult é a bíblia do cariri). Enfim: Ofício de escritor cara. Se a gente não escreve pira. Ou vira pira. pega fogo geral.



6-)Um recado do Lupeu para quem curte boa literatura?



Dêem uma chance aos novos. Guimarães Rosa, Drummond, Ferreira Gullar... Todos esses caras já foram principiantes. Já escreveram primeiros livros, já erraram pra caralho até acertar. Então? Em sua próxima saída, passe em uma livraria, olhe lá na seção "novos autores", com certeza vocês vão achar alguma coisa - muita coisa - muito boa. Daí, compre um vinho baratinho, acenda um cigarrinho, escute um sonzinho... E boa viagem.



Lupeu Lacerda. Autor de Entre o alho e o sal , também das as caras no blog http://cariricult.blogspot.com/ e em seu blog http://sequicosacro.blogspot.com/

2 comentários:

Gustavo Rios disse...

entrevista esclarecedora. vale a lida e a vida.

Calazans Callou disse...

É isso aí, Lupeu. ...precisamos nos encontrar para fazermos boas flutuações. Abraços amigo.