quarta-feira, 16 de maio de 2007

"Perfil Especial"

CENA DE RUA

À moda de Manuel Bandeira


dez horas da manhã

um homem arrasta-se na calçada
em frente ao prédio da reitoria
de cócoras

defeca

limpa-se com a mão direita
que esfrega em seguida numa poça d’água

no instante seguinte
o sinal abre para os carros
que fecham a cortina
do humano e breve espetáculo


POEMA EM NOVE GOTAS
Sexta

riacho não corre mais para o rio

rio não bate mais no meio do mar

o mar estranho
estende sua língua salgada
aos pés da cachoeira

e a terra capoeira
estala
esterilizada



MUNDO DESNUDO

a solidão do mundo
recolhida ao peito

as lágrimas do mundo
vertidas no leito

assim o amor se faz chicote

desnudo
perde-se entre lembretes presos à geladeira


Carlos Barbosa, nascido em 17 de Maio de 1958, é escritor, jornalista e advogado. Natural de Ibotirama – BA. Tem publicado Água de Cacimba (poemas, 1998) e A Dama do Velho Chico (romance, 2002). Poemas extraídos de Matalotagem e outros poemas da viagem(poemas, 2006). Mais textos do autor nos endereços miniconto.zip.net e contosempre.zip.net.

4 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns, meu querido amigo, pela poesia e pelo aniversário! Esta é uma bela página - que homenageia você e todos nós. Saudades, Ângela.

Daniela disse...

Bela escolha dos poemas! Belo dia!
Parabéns (pelos dois).
Beijo, Dani.

Carlos Barbosa disse...

Meninos, grato pela homenagem. Grato pelos parabéns. Evoé, Baco! Um abraço a todos. Carlos Barbosa

Kátia Borges disse...

Belíssimos poemas, especialmente o primeiro. A verdadeira arte da poesia envolve a realidade, e a essência da realidade, expressa em palavras. Parabéns.