segunda-feira, 11 de junho de 2007

"Perfil" (10)

OS OBJETOS

Os objetos
permanecem claros.

Habita a moldura
uma mulher de faces
cor-de-rosa.

Sobre a mesa de mármore
um cavaleiro de porcelana
saúda as visitas.

A caneta ainda escreve
com a mesma tinta
de um azul levemente melancólico.

Na gaveta, dormindo
sob cartas e poemas,
o revólver aguarda.


Ruy Espinheira Filho (1942), nascido em Salvador, é autor de mais de 20 livros, divididos em vários gêneros, como poesia, romance, novela, conto, crônica e ensaio. Estreou em 1974, com Heléboro. É professor do Instituto de Letras da UFBA e membro da Academia de Letras na Bahia.

3 comentários:

Mayrant Gallo disse...

Belo poema!

ângela vilma disse...

Os poemas de Ruy sempre nos remetem a um tempo antigo e profundo, guardado nos objetos e nas coisas que a nossa memória salva. Poesia que emociona.

Anônimo disse...

Esse poema é simplesmente maravilhoso, continue assim cada dia fazendo poemas melhores.