sexta-feira, 27 de julho de 2007

Com a Palavra...

JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO

1) Por que você escreve?

Escrevo para poder continuar vivo, para preencher o imenso deserto do meu ser com os eus que vou inventando. Escrevo porque sofro de uma praga sagrada: a poesia. Escrevo porque se parar de escrever deixo de existir. Escrevo para matar a besta e decifrar o enigma. Escrevo o meu enigma. Escrevo porque é minha oração e meu paradigma. Escrevo para me proteger dos coices desses cavalos. Escrevo para encontrar a salvação no Vale de Josafá, no Vale do Jequitinhonha, em Jericó ou em Maracás. Escrevo porque escrevo. Escrevo porque tenho fome.



2) O que você gostaria de escrever e por quê?

Quero escrever um livro que me salve dos olhos das vossas línguas. Quero um livro que me coloque dentro da paisagem e que me faça esquecer de querer escrevê-lo. Quero encontrar a imperfeição perfeita dentro da minha escrita. Quero escrever um livro que não seja entre aspas. Só.


JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO é poeta e jornalista. Publicou os livros Código do Silêncio (2000), Decifração de Abismos (2002), A Terceira Romaria (2005) e A infância do Centauro (2007). Organizou em 2004 o volume Concerto lírico a quinze vozes. É co-editor da revista Iararana e colunista da revista Cronópios.

13 comentários:

Renata Belmonte disse...

Ótimas respostas! Parabéns!
Abraços,
Renata

Anônimo disse...

Mais um pouco e este cara vai voar... E aí, meu, a queda será grande.

Anônimo disse...

Bem apocalíptico...

Anônimo disse...

Muitas vezes escrevemos para fugir da realidade. Tudo isso que vc coloca é tocante, pena que é comum.
Luiz

Carmen Maria disse...

Até que enfim apareceu alguém que desse uma resposta esclarecedora e ofuscante para essas perguntas tão batidas. Despertou até os ânimos dos anônimos ressentidos. Isso é bom, muito bom.

Carlos Barbosa disse...

Inácio não brinca, é integral. Daí que espanta mosquitos. Aprecio seus poemas. Boa escolha do blog, parabéns. (Carlos)

César Augusto disse...

"Escrevo porque tenho fome."
Também penso que muitas coisas que foram ditas são comuns...
Afinal se não fosse a fome, por que escreveríamos?... Qualquer um poderia ter dito. Além disso, o escritor que não estiver preparado para as críticas, mesmo anônimas, não pode ser considerado com algum valor literário.
A não ser que tenha muitos contatos, amigos influentes, e bons puxa-sacos...

Mônica Menezes disse...

"Escrevo porque escrevo. Escrevo porque tenho fome." Gostei, Inácio. Seus poemas têm muita força, você também.

Mayrant Gallo disse...

Sinceramente, Carmen, para elogiar o Inácio, que é bom poeta, você não precisa diminuir os outros autores (que você certamente nem conhece direito), mesmo porque aqui tem escritores jovens muito bons e para os quais sua crítica falaciosa só fará mal, muito mal. Ou você é do tipo que elege "seus melhores" em detrimento dos demais? Se é isso, lamento, mas de críticos como você o mundo está cheio: acabo de olhar a rua e descobrir mais de trinta, quarenta... É preciso compreender que a diferença (pessoal ou de contexto) é também um dos atributos da arte, se não o mais característico e relevante. Sem essa compreensão, quem é leitor realmente?

D. Fininho disse...

Até aqui o Entre Aspas se manteve livre do rebanho; agora ele apareceu!

Virgilio disse...

As inquietações desse poeta dão origem a expressões que adquirem de grande vigor. Muito me impressiona a força de seus versos. Para definir sua poética, uma palavra basta: Fortaleza.

Guilherme Grilo disse...

Quanta originalidade!

UZEL disse...

JIVM delira! É por isso que é o poeta que é. Enquanto Guilherme tá grilado com originalidade, o Cavaleiro de Fogo se alimenta na fogueira dos poetas que atravessam os séculos e nos presenteia com a brasa de seus versos. Parabéns Poeta!