
1) Por que você escreve?
Acho que comecei escrevendo para imitar os escritores que gostava de ler, assim como crianças imitam adultos. Acho que continuei depois escrevendo porque tinha a impressão de que isso criava sentidos, significados, idéias, perspectivas e valores para a minha vida meio sem graça. Hoje, acho que escrevo, sem deixar os sentimentos anteriores e outros possíveis, também como um modo de discutir questões que me tocam, me afetam e me interessam das mais diversas maneiras.
2) O que você gostaria de escrever e por quê?
Gostaria de ser capaz de escrever prosa, o que acho dificílimo. Nos últimos meses, pela primeira vez, andei "rabiscando" no computador algumas tentativas de contos. Tenho também a idéia para um romance (acho que os "contos" são um treinamento para ele), o que não sei ser capaz de escrever. A prosa demanda um tipo de investimento físico e intelectual (se é que não são a mesma coisa) diverso do da poesia. Além disso, gosto de me ver como escritor, e não como poeta. A mitologia ao redor deste último me incomoda um pouco. O escritor também é mitificado, mas, no caso dele, a afirmação do Rimbaud de que "a mão que segura a pena vale tanto quanto a que empurra o arado" me parece mais pertinente. Isso, no entanto, é um valor absolutamente pessoal.
SANDRO ORNELLAS (1971) nasceu em Brasília-DF e mora em Salvador-BA. Autor de Simulações (poemas, Fundação Casa de Jorge Amado, 1998) e Trabalhos do Corpo (poemas, Letra Capital, 2007). Escreve o blog "Simulador de Vôo" (simuladordevoo.blogspot.com).
12 comentários:
Imitar como um menino, crianças, subvertendo sempre, buscando despir a fábula, encontrar o rei vestido e despi-lo, tomando-lhe a coroa. É um caminho. O caminho. Pound & Faustino. Depois, o riso. Niezstche. O corpo falando por si. Apolo e Dionísio. Tá escrevendo contos, é mermão?!?! Baita surpresa...
Sandro, gostei muito do que você disse: simples, direto, preciso e verdadeiro. Pessoa: "Se nunca tivesse havido poetas no mundo/ Seria eu capaz de ser o primeiro?/ Nunca!" Imitar é o primeiro passo para a originalidade; o último, quem sabe? Congratulações, Mayrant.
A foto tá um negócio :) e... vai prosear? E que venham as conversitas. A entrevista tá bem bacana, legal falar em imitação, despretensioso e operante. Parabéns!
é isso mesmo: direto e sem firulas bestamente intelectualóides; genuíno e outros adjetivos simples e diretos. como toda boa prosa deve ser.
Agradeço todos os comentários.
Valdo: vc anda com a memória bem fraquinha, heim?
Mayrant: é aquela história do repetir para aprender, né?
Anna: estava para agredir o fotógrafo na hora da foto...
Gustavo: curte vale-tudo? Acho o Minotauro o cara! Direto e sem firulas também. Sério! Adoro vê-lo!
Abraço a todos. E obrigado.
Muito bom! Sandro mostra que ser um verdadeiro escritor prescinde de estrelismos ou coisas do tipo.
Foto horrível. Entrevista ótima. Gosto muito da sua poesia, Sandro, e dos textos teóricos também. Um abraço.
Sandro, Tamb�m gostaria de escrever prosa, mas o que consigo s�o alguns rabiscos po�ticos. mantenho o desejo, e espero algum dia escrever uma pequena prosa.
Muito obrigado, Renata e Mô, pela força.
Pois é, Anônimo, não sou muito bom em ambientações, personagens, unidade de ação, essas coisas. Mas existem outras formas de narrar.
Abraços
Sandro, obrigada por manter o diálogo. Eu e Alyne iremos vê-lo na LDM. Beijos, Ayêska
Gostei da entrevista. Valeu.
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